domingo, 3 de março de 2013



Boa noite galera^^
Peço desculpas pela desatualização...
Mas aqui venho para me redimir e dizer que estou ativa de novo..
PAZ E LUZ

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

EM QUE MOMENTO A ALMA SE UNE AO CORPO?

UNIÃO DA ALMA E DO CORPO

344. Em que momento a alma se une ao corpo?
A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.
345. É definitiva a união do Espírito com o corpo desde o momento da concepção? Durante esta primeira fase, poderia o Espírito renunciar a habitar o corpo que lhe está destinado?
É definitiva a união, no sentido de que outro Espírito não poderia substituir o que está designado para aquele corpo. Mas, como os laços que ao corpo o prendem são ainda muito fracos, facilmente se rompem e podem romper-se por vontade do Espírito, se este recua diante da prova que escolheu. Em tal caso, porém, a criança não vinga.
346. Que faz o Espírito, se o corpo que ele escolheu morre antes de se verificar o nascimento?
Escolhe outro.
a) - Qual a utilidade dessas mortes prematuras?
Dão-lhes causa, as mais das vezes, as imperfeições da matéria.
347. Que utilidade encontrará um Espírito na sua encarnação em um corpo que morre poucos dias depois de nascido?
O ser não tem então consciência plena da sua existência. Assim, a importância da morte é quase nenhuma. Conforme já dissemos, o que há nesses casos de morte prematura é uma prova para os pais.
348. Sabe o Espírito, previamente, que o corpo de sua escolha não tem probabilidade de viver?
Sabe-o algumas vezes; mas, se nessa circunstância reside o motivo da escolha, isso significa que está fugindo à prova.
349. Quando falha por qualquer causa a encarnação de um Espírito, é ela suprida imediatamente por outra existência?
Nem sempre o é imediatamente. Faz-se mister dar ao Espírito tempo para proceder a nova escolha, a menos que a reencarnação imediata corresponda a anterior determinação.
350. Uma vez unido ao corpo da criança e quando já lhe não é possível voltar atrás, sucede alguma vez deplorar o Espírito a escolha que fez?
Perguntas se, como homem, se queixa da vida que tem? Se desejara que outra fosse ela? Sim. Se se arrepende da escolha que fez? Não, pois não sabe ter sido sua escolha. Depois de encarnado, não pode o Espírito lastimar uma escolha de que não tem consciência. Pode, entretanto, achar pesada demais a carga e considerá-la superior às suas forças. É quando isso acontece que recorre ao suicídio.
351. No intervalo que medeia da concepção ao nascimento, goza o Espírito de todas as suas faculdades?
Mais ou menos, conforme o ponto em que se ache dessa fase, porquanto ainda não está encarnado, mas apenas ligado. A partir do instante da concepção, começa o Espírito tomado de perturbação, que o adverte de que lhe soou o momento de começar nova existência corpórea. Essa perturbação cresce de contínuo até ao nascimento, Nesse intervalo, seu estado é quase idêntico ao de um Espírito encarnado durante o sono. À medida que a hora do nascimento se aproxima, suas ideias se apagam, assim como a lembrança do passado, do qual deixa de ter consciência na condição de homem, logo que entra na vida. Essa lembrança, porém, lhe volta pouco a pouco ao retornar ao estado de Espírito.
352. Imediatamente ao nascer recobra o Espírito a plenitude das suas faculdades?
Não, elas se desenvolvem gradualmente com os órgãos. O Espírito se acha numa existência nova; preciso é que aprenda a servir-se dos instrumentos de que dispõe. As ideias lhe voltam pouco a pouco, como a uma pessoa que desperta e se vê em situação diversa da que ocupava na véspera.
353. Não sendo completa a união do Espírito ao corpo, não estando definitivamente consumada, senão depois do nascimento, poder-se-á considerar o feto como dotado de alma?
O Espírito que o vai animar existe, de certo modo, fora dele. O feto não tem, pois, propriamente falando, uma alma, visto que a encarnação está apenas em via de operar-se. Acha-se, entretanto, ligado à alma que virá a possuir.
354. Como se explica a vida intra-uterina?
É a da planta que vegeta. A criança vive vida animal. O homem tem a vida vegetal e a vida animal que, pelo seu nascimento, se completam com a vida espiritual.
355. Há, de fato, como o indica a Ciência, crianças que já no seio materno não são vitais? Com que fim ocorre isso?
Frequentemente isso se dá e Deus o permite como prova, quer para os pais do nascituro, quer para o Espírito designado a tomar lugar entre os vivos.
356. Entre os natimortos alguns haverá que não tenham sido destinados à encarnação de Espíritos?
Alguns há, efetivamente, a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças então só vêm por seus pais.
a) - Pode chegar a termo de nascimento um ser dessa natureza?
Algumas vezes; mas não vive.
b) - Segue-se daí que toda criança que vive após o nascimento tem forçosamente encarnado em si um Espírito?
Que seria ela, se assim não acontecesse? Não seria um ser humano.
357. Que consequências tem para o Espírito o aborto?
É uma existência nulificada e que ele terá de recomeçar.
358. Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?
Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.
359. Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?
Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.
360. Será racional ter-se para com um feto as mesmas atenções que se dispensam ao corpo de uma criança que viveu algum tempo?
Vede em tudo isso a vontade e a obra de Deus. Não trateis, pois, desatenciosamente, coisas que deveis respeitar. Por que não respeitar as obras da criação, algumas vezes incompletas por vontade do Criador? Tudo ocorre segundo os seus desígnios e ninguém é chamado para ser juiz.

O Livro dos Espíritos
Allan Kardec
FEB – Federação Espírita Brasileira

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O Jovem na Umbanda

Cada vez mais podemos ver que o número de jovens que procuram a religião de Umbanda tem crescido muito e isso tem acontecido de forma natural. São milhares de adolescentes e “jovens adultos” que adentram os terreiros de umbanda a procura do crescimento espiritual, do conselho do guia, da comunhão com a espiritualidade superior, a vivência de uma religiosidade saudável, do desenvolvimento de suas faculdades mediúnicas, etc.
Isso tem sido muito positivo e reflete bem o “espírito da Umbanda”. Mas, o que faz ela ser tão atraente aos jovens? Os guias, os rituais, a música, o amor aos Orixás,  etc? Sim, tudo isso com certeza, mas principalmente, a falta de dogmas e a própria filosofia da religião. A Umbanda é jovem e assim também são seus praticantes.  Nela não existe preconceito, seja em relação à cor, classe social ou opção sexual, assim também é o umbandista.
Universalista por natureza traz guias espirituais ligados a todos os movimentos espiritualistas e religiosos que já existiram no planeta. Prega as verdades espirituais que todas as religiões pregam, busca a serenidade e o desenvolvimento da consciência, utiliza – se de rituais milenares usados desde os primórdios dos tempos. Traz em si, um conjunto de mitos e arquétipos que vibram no inconsciente da humanidade.
Não temos apenas  “um” livro sagrado. Todos os livros sagrados da humanidade fazem parte da Umbanda, assim como todos os grandes mestres e avatares (encarnações divinas). Seja Franscisco de Assis ou Ramakrishna, Madre Tereza ou Gandhi, todos estão presentes através de seus ideais e palavras de amor. Jesus, Buda ou Krishna, pouco importa, seus ensinamentos estão tanto no coração dos umbandistas como nas palavras dos caboclos e pretos – velhos.
Outro aspecto que muito chama atenção dos jovens é a falta do “conceito” de pecado, dos dogmas e do discurso ideológico moralista e antiquado que muitas religiões trazem até hoje. A vida na Umbanda é retratada de forma simples e natural. Todos têm liberdade de ação e pensamento, acreditando e buscando as virtudes e a evolução da consciência. A Umbanda liberta, não escraviza ninguém.
O desenvolvimento mediúnico também merece um destaque especial. Muitos jovens têm os seus dons mediúnicos aflorados e acabam por encontrar dentro da Umbanda uma forma de desenvolve – los de forma ordenada, equilibrada e extremamente prática. Nossa “missa” chama – se trabalho e um trabalhador é o umbandista.

Além disso, a pessoa vai se autoconhecendo,  entrando em contato com a egrégora da religião e com as forças e virtudes dos amados Pais e Mães Orixás, lapidando naturalmente sua consciência e equilibrando suas emoções, sem a necessidade de “uma pregação – evangelização moralista” ou o uso de um “cabresto doutrinário” para a prática da mediunidade – caridade. Sempre respeitando o “tempo” de cada um, e acreditando no crescimento espiritual como um processo natural.

Dentro da religião o umbandista religa – se diretamente ao sagrado. É apresentado aos Pais e Mães Orixás e aos seres encantados e naturais, representantes diretos Deles na criação, criando assim uma consciência de preservação e culto a natureza.
Importante também é a conscientização do templo vivo que cada um de nós somos,  de que nós somos responsáveis pela religião e pela nossa própria espiritualidade. Dizemos que Deus está em tudo e Tudo É, e o umbandista procura Deus dentro do próprio coração. É lá também que nós assentamos os amados Pais e Mães Orixás, o que faz com que tenhamos um contato íntimo e direto com Eles, dispensando a figura de um sacerdote como “supremo pontífice”.

Tudo isso cria um lindo universo religiosos que tem atraído cada vez mais jovens para dentro dele, jovens que se esclarecidos e conhecedores dos fundamentos de sua religião, tornar-se-ão melhores pessoas e levarão a Umbanda com orgulho, amor e honra.

Portanto,  vamos estudar e praticar cada vez mais. Tenhamos orgulho de dizer “que somos umbandistas!” Saibamos explicar e desmistificar nossa religião. Busquemos o desenvolvimento íntimo, as posturas sadias e criativas. Nunca foi tão fácil estudar espiritualidade, nunca houve tanta abertura de conhecimento dentro da religião de Umbanda. Pensemos em todos os antigos sacerdotes que com fé, honra e amor levaram a Umbanda para frente, sempre trilhando um caminho de luz, mesmo com muito pouca informação, com perseguições, dificuldades,  etc.
Agora é a nossa vez, a espiritualidade está dando todas as oportunidades, tudo para que a Umbanda cresça e vença o preconceito, a intolerância e os abusos cometidos contra ou em nome Dela. E tenho certeza que nisso o jovem tem muito a contribuir, sendo tanto “hoje” como “amanhã” um umbandista sério e esclarecido. E não estou falando apenas dos jovens de “idade física”, mas sim, dos que mantêm suas mentes e corações sempre jovens, buscando crescer e aprender sempre, unidos pelo ideal da Umbanda.
Por Fernando Sepe

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Quando um pai de Santo morre


Sentado ali em frente de seu conga o velho pai de terreiro relembra com surpreendente nitidez sua infância e seu primeiro contato com a espiritualidade. Nitidamente ele se vê na tenra infância a brincar sozinho no amplo quintal da casa de seus pais. Lembra-se que alguma coisa o fez olhar para as nuvens e diante dele uma estranha imagem se forma: um velho sentado ao redor de uma fogueira e um menino a ouvir-lhe estórias. De alguma maneira o menino ao ver aquela cena sabia que se tratava dele mesmo.
O tempo passou e a cena jamais esquecida e também jamais revelada, o acompanha em sonhos e lembranças. Cresce e acaba se tornando médiun Umbandista. Aos poucos vai conhecendo seus guias, que vão tomando seu corpo nas diversas “giras de desenvolvimento”.Primeiro o Caboclo que lhe parece muito grande e forte, depois os demais até que, ao completar 18 anos, seu Exu também recebe permissão para incorporar.Já não é mais mediun de gira, a bem da verdade ocupa o cargo de pai pequeno do terreiro.Percebe que não tivera uma adolescência como a da maioria dos jovens que lhe cercam na escola. Não vai a bailes , festas... Dedica-se com uma curiosidade e um amor cada vez maior a pratica da caridade.
Os anos passam e acaba pôr abrir seu próprio terreiro. Inúmeras pessoa procuram os seus guias e recebem um lenitivo, uma palavra de consolo e esperança...Foram tantos os pedidos e tantos os trabalhos realizados que já perdera a conta. Viu inumeras pessoas que declaravam amor eterno pela Umbanda e bastava que alguns pedidos não fossem alcançados na plenitude desejada que já se afastavam criticando o que ontem lhes era sagrado...Presenciou pessoas que vindas de outras religiões e que encontraram a paz dentro do terreiro, mantido a duras penas, uma vez que nada cobrava pôr trabalhos realizados ("Dai de graça o que de graças recebestes").Solteiro permanecia até hoje pois embora tivesse tido várias mulheres que lhe foram caras, nenhuma delas agüentou ficar a seu lado, pois para ele, a vida sacerdotal se impunha a qualquer outro tipo de relacionamento.Amava mesmo assim todas aquelas que lhe fizeram companhia em sua jornada terrena. Brincava, o velho pai de santo, quando lhe perguntavam se era casado e respondia, bem humorado, que se casara muito cedo, ainda menino.
A curiosidade dos interlocutores quanto ao nome da esposa era satisfeita com uma só palavra: Umbanda, este era o nome da esposa.Com o passar do tempo, a idade foi chegando; muitos de seus filhos de fé seguiram seus destinos vindo eles também a abrirem suas casas de caridade.O peso da idade não o impede de receber suas entidades. Ainda ecoa, pelo velho e querido terreiro, o brado de seu Caboclo, o cachimbo do preto velho perfuma o ambiente, a gargalhada do Exu ainda impressiona, a alegria do Ere emociona a ele e a todos...Enfim, sente-se útil ao trabalhar...Hoje não tem gira. O terreiro está limpo, as velas estão acessas e tudo parece normal. Resolve adentrar ao terreiro para passar o tempo, perdera a noção das horas. Apura os ouvidos e sente passos a seu redor, percebe que alguém puxa pontos e que o atabaque toca.Ele esta de costa para todos de frente para o conga.
O cheiro da defumação invade suas narinas...Seus olhos se enchem de lágrimas na mesma proporção que seu coração se enche de alegria.Estranhamente, não sente coragem ou vontade de olhar para trás, apenas canta junto os pontos.Fixa seus olhos nas imagens do altar, fecha os olhos e ainda assim vê nitidamente o conga, parece que percebe o movimento do terreiro aumentar.Vira de costas para o conga e a cena o surpreende: vê caboclos, boiadeiros , pretos velhos, marujos, baianos, erês e toda uma gama de Guias até Exus e Pomba Giras estão ali na porteira.Se dá conta que os vê como são, não estão incorporados. Todos lhes sorriem amavelmente. Dentre tantos Guias, percebe aqueles que incorporam nele desde criança. Tenta bater cabeça em homenagem a eles mas é impedido.O caboclo, seu guia de frente, se adianta, lhe abraça, brada seu grito guerreiro...os demais o acompanham.O velho pai de santo não agüenta e chora emocionado...As lagrimas lhe turvam a vista. Fecha seus olhos e ao abri-los todos os guias ainda permanecem em seus lugares embora calados...Nota uma luz brilhante em sua direção, Yansa e Omolu se aproximam, seu caboclo os saúda e é correspondido.A luz o envolve completamente. Já não se sente mais velho; na verdade sente-se jovem como nunca. Seu corpo está leve e ele levita em direção à luz. Todos os guias fazem reverência...O terreiro vai ficando longe envolto em luz...Ele sorri alegre...A missão estava cumprida...No dia seguinte, encontram seu corpo aos pés do conga. Tinha nos lábios um sorriso...

W.W. da Matta e Silva

Pequena Biografia


Woodrow Wilson da Matta e Silva nasceu em Garanhuns, Pernambuco, em 28 de julho de 1917. Veio para o Rio de Janeiro aos 5 anos de idade. Entre 12 e 13 anos passou a viver fenômenos mediúnicos (visões). Sua primeira manifestação mediúnica ocorreu aos 16 anos com a incorporação de Pai Cândido. Nessa época, era auxiliar de redação de um periódico carioca e morava no centro do Rio de Janeiro, numa república perto da Light.

Todas as quintas-feiras realizava pequenas sessões, junto de Pai Cândido, para atender a comunidade da república. Muitas vezes fazia programas para quinta-feira, porém Pai Cândido se manifestava mostrando ao médium a sua tarefa para com o ser humano, que aguardava a quinta-feira para ser atendido.

Aos 17 anos começou a visitar vários terreiros de Umbanda em busca de um lugar para trabalhar. Pai Cândido, no entanto, pedia paciência e lhe dizia que iria ter o seu próprio terreiro.

Aos 21 anos foi morar na Pavuna onde montou seu primeiro Terreiro (pequenino como sempre). A partir de 1954, Pai Guiné começa a direcionar sua vida mediúnica. Nessa época, recebe desse Preto-Velho a mensagem “
Sete Lágrimas de Pai Preto”, que seria um dos marcos da renovação da Doutrina Umbandista. 

Mostra a realidade do dia-a-dia de um Terreiro e as diferentes consciências que a ele vão, em busca de auxilio espiritual.

Nesse ano passou a escrever para o Jornal de Umbanda (já citado anteriormente) localizado à Rua Acre, 47 – 6º andar – sala 608.

Iniciou também a obra que viria a transformar as coisas da Umbanda de todos Nós. Nessa época teve várias visões mediúnicas (transes) em que se via um Velho Payé que folheava um grande livro e junto dele, um Colegiado de Mentores Espirituais que discutiam da oportunidade do lançamento do livro. Decidiu-se então, que o momento era chegado e, em 1956, essa portentosa obra era trazida a público.

Umbanda de Todos Nós foi lançada em edição paga pelo próprio autor, através da Gráfica e editora esperanto, a qual se situava na época, à Rua General Argolo 130, Rio de Janeiro. A primeira edição saiu com 3.500 exemplares e rapidamente se esgotou. A partir da segunda edição a obra foi lançada pela Livraria Freitas Bastos.

Umbanda de Todos Nós agradou a milhares de umbandistas, que nela encontraram os reais fundamentos em que se poderiam escudar, mormente nos aspectos mais puros da Doutrina Umbandista. Por outro lado, este livro incomodou muita gente encarnada e desencarnada ligada ao baixo astral, principalmente os pseudo-líderes umbandistas daquela época e de todas as épocas, interessados na venda de ilusões e outras coisas.

O combate incessante sobre a obra serviu apenas para promovê-la. Esse fato desencadeou a fúria dos seus inimigos que passaram a atacar Matta & Silva através de baixa magia. Nessa luta astral, as Sombras e as Trevas utilizaram-se de todos os meios agressivos e contundentes que possuíam, arrebanhando para suas fileiras de ódio e discórdia tudo o que de mais nefando e trevoso encontrassem, quer fosse encarnado ou desencarnado.

Essa perseguição atingiu sua esposa e seus filhos Ubiratan e Eluá. Muitas vezes sentiu-se balançar. Mas não caiu. A maioria de seus perseguidores recebeu segundo a Lei... Esses fatos causaram muita decepção ao Mestre, que recebeu permissão do astral para um pequeno recesso a fim de restabelecer suas forças. 

Várias vezes o Mestre comentou que só não tombou porque Oxalá não quis... Após o recesso, o Pai Guiné assumiu toda a responsabilidade pela manutenção e reequilíbrio astrofísico de seu Filho, para logo orientá-lo na escrita de mais um livro. Através da Editora Esperanto lançou Umbanda – Sua Eterna Doutrina, que aborda conceitos esotéricos e metafísicos nunca expostos. Esta obra agradou em cheio aos estudiosos e intelectuais, porém passou um pouco despercebida pela grande massa umbandista da época, inclusive aos seus “lideres”.

Para complementar e ampliar os conceitos tratados em Umbanda - Sua Eterna Doutrina, Matta e Silva lançou, pouco tempo depois, a obra Doutrina Secreta da Umbanda que também agradou a milhares de umbandistas.

Apesar de suas obras serem lidas e estudadas pelos adeptos e estudiosos do Ocultismo, seu Santuário em Itacuruçá era freqüentado pelos simples e humildes que nem desconfiavam ser o Velho Matta um escritor de renome no meio umbandista.

Em seu santuário junto à natureza, Matta e Silva escreveu outra de suas importantes obras chamada: Lições de Umbanda e Quimbanda na Palavra de um Preto-Velho, obra mediúnica que apresenta um diálogo edificante entre um Filho-de-Fé, Cícero (Cícero Faria de Castro, médico e estudioso) e a Entidade espiritual que se diz Preto-Velho (Pai Guiné). Esta obra apresenta uma maior facilidade de entendimento para grande parte dos umbandistas.


A Choupana do Velho Guiné, em Itacurussá estava lotada quase todos os dias. Lá eram atendidas pessoas de Itacuruçá e das mais longínquas regiões do Brasil. Lá, os dramas do ser humano eram tratados á Luz da Razão e da Caridade. Durante 10 anos o Velho Matta atendeu pessoas da região e das ilhas próximas, ministrando remédios da flora local e alopatias simples que ele mesmo comprava quando ia á cidade do Rio de Janeiro.

Seguindo sua tarefa missionária, Matta e Silva escreveu sua quinta obra com o título de: Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda que relata de forma simples e objetiva as raízes míticas da Umbanda, aprofundando-se no sincretismo dos Cultos Afro-Brasileiros. Em seguida surge à sexta obra chamada Segredos da Magia da Umbanda e Quimbanda que aborda a magia Etéreo-Física e revela de maneira simples e prática determinados rituais seletos da Magia de Umbanda.

Sua sétima obra, Umbanda e o Poder da Mediunidade explicam como e porque ressurgiu a Umbanda no Brasil, mostrando as verdadeiras origens da Umbanda. Explica ainda, ângulos importantíssimos da Magia.

Muitos pedidos dos simpatizantes e adeptos de suas obras fizeram com quem Matta e Silva lançasse em 1969, o livro que sintetizava e simplificava os sete anteriores. Esse livro recebeu o nome de: Umbanda do Brasil e esgotou-se em seis meses. Em 1975, o Grande Mestre lançava sua última obra com o nome de Macumbas e Candomblés na Umbanda. Esse livro registra as vivências místicas e religiosas dos chamados Cultos Afro-Brasileiros, mostrando os graus consciêncionais dos adeptos e praticantes dos vários níveis da Umbanda Popular.

Para facilitar o estudo de suas obras, Matta e Silva as classificou da seguinte maneira:
1º grau Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda;
2º grauLições de Umbanda e Quimbanda na Palavra de um   Preto-Velho;

3º grauSegredos da Magia de Umbanda e Quimbanda;

4º grau Umbanda e o Poder da Mediunidade;
5º e 6º grausUmbanda de Todos Nós;

7º grau Sua Eterna Doutrina e Doutrina Secreta da Umbanda.

Segundo a Sagrada Corrente Astral da Umbanda, seus livros levarão mais de 50 anos para serem completamente assimilados e colocados em prática. As obras de Matta e Silva preparam, ajustam e apontam para a Umbanda do 3º milênio.

Segundo alguns relatos, conta que ele era muito humano e totalmente avesso ao endeusamento e a mistificação de sua pessoa. Era muito sensível e de personalidade firme, acostumado que estava a enfrentar os embates da própria vida... Era inteligentíssimo! Tinha os sentidos super aguçados... Mas era um profundo solitário, apesar de cercarem-no centenas de pessoas. Seu Espírito voava, interpenetrando em causas o motivo das dores, sofrimentos e mazelas várias...

A todos tinha uma palavra amiga e individualizada. Não tratava casos, tratava Almas... E, como tal, tinha para cada pessoa uma forma de agir, segundo o seu grau consciencial próprio! 

Sua cultura era exuberante, mas sem perder a simplicidade e originalidade. De tudo falava, era atualizadíssimo nos mínimos detalhes... Discutia ciência, política, filosofia, arte, ciências sociais, com tal naturalidade que parecia ser Mestre em cada disciplina. E era!...

No mediunato era portentoso... Seu pequeno copo da vidência parecia uma televisão tridimensional. Em conjunto simbiótico. Com Pai Guiné ou Caboclo Jurema, trazia-nos mensagens relevantes e reveladoras, além de certos fenômenos mágicos. Seu santuário denominava-se TENDA DE UMBANDA ORIENTAL (T.U.O.) verdadeira Escola de Iniciação de Umbanda Esotérica de Itacuruçá, na Rua Boa Vista, 177 no bairro Brasilinha.

Itacuruçá significa “A TERRA DA PEDRA DA CRUZ SAGRADA”, e neste local privilegiado pela natureza, se localiza a Tenda de Umbanda Oriental em humilde prédio de 50 m2. Sua construção, simples e pobre, era limpa e rica em assistência astral. Era a verdadeira Tenda dos Orixás.

Durante 50 anos de mediunato, Matta e Silva nunca se curvou aos ataques dos encarnados e desencarnados do baixo astral. Sua palavra e sua pena foram armas fiéis defensoras da verdadeira Umbanda. Com elas (verdadeiros chicotes) vergastou o vigarismo organizado, os vendedores do “conto do orixá”, os vaidosos mistificadores e os fanáticos que proliferam no meio umbandista.

O “Velho Matta” desencarnou em 17 abril de 1988, em Jacarepaguá. Durante 25 anos visitou mais de 600 Terreiros para poder relatar, em suas obras, o que se passava no seio do Movimento Umbandista. Trouxe à Luz a Umbanda Esotérica que, infelizmente, é praticada na atualidade por poucos Terreiros, mas que, segundo o Astral Superior, se instalará definitivamente no meio umbandista a partir deste milênio.

Do astral ou encarnado, Matta e Silva continuará a sua grandiosa tarefa em prol do ressurgimento do AUMBANDAM. 



Texto retirado da Tenda Esotérica Aumbhamdam

Fumo e Bebida na Umbanda

Esta é uma situação bem delicada que leva a muitos terem a Umbanda como religião de “Baixo espiritismo”, pelo fato de seus Guias e Mentores espirituais utilizarem fumo e bebida quando incorporados em seus médiuns.
Mas se analisarmos bem, várias foram as religiões que utilizaram a bebida em seus fundamentos. No Catolicismo, por exemplo, o vinho representa,  o sangue de Cristo, tomado por seus apóstolos na sua santa seia, e que até hoje o ritual é praticado nas missas.
Não só no catolicismo, mas como na Mitologia grega, nos cultos xamanico e ameríndios, e até mesmo na África, a bebida fazem parte de seus fundamentos.
Com a nossa querida Umbanda não é diferente. A utilização do álcool e também do fumo em seus rituais nada tem de primitivismo ou inferioridade.

Bebida
O álcool utilizado pelos mentores de umbanda, são para purificação tanto dos consulentes como dos ambientes.
Como isso ocorre? Explicamos.
O álcool em si é fogo em estado liquido pela sua alta combustão,  além de ser extraído da cana de açúcar, portanto, extremamente volátil,assemelhando-se ao éter, um excelente auxiliar para desfazimento de energias negativas impregnadas no períspirito. Também usado como contraste, quando magnetizada pelo guia e tomada em pequenas dozes pelo consulente, permitindo assim a entidade visualizar o seu organismo, mostrando algum problema a ser cuidado. Além de ser anticéptico, o álcool possibilita um entorpecimento no organismo do médium, possibilitando assim melhor atuação da entidade.

Fumo
O fumo é vegetal, que trás os elementos água e terra e sua composição, e os elementos ar e fogo quando utilizados para defumação, para a destruição de campo magnéticos negativos vinculados a obsessão quanto a feitiços de magia negra contra o consulente.
O elemento ar utilizado através do fumo, tem o poder de levar todos os pensamentos negativos, para que idéias de luz e confiança  possam surgir nos consulentes.

Como diz o guia mentor de luz Ogum Megê:
“A gira é nossa, e o pensamento é de vocês, enquanto estamos a trabalhar Jesus estar a abençoar. Que eu possa embriagar os maus contrários e perseguição contra meus filhos e levar todos os maus pensamentos!”

sábado, 6 de outubro de 2012

Caboclo das Sete Encruzilhadas

A entidade que ressurgiiu a Umbanda

Este fato ocorreu na sessão da Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro (então sediada em Niterói), a 15 de novembro de 1908, por intermédio da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, no distrito de Neves, em São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro.
Naquela ocasião, tendo o dirigente determinado que Zélio ocupasse um dos lugares à mesa, em determinado momento dos trabalhos, tomado por uma força desconhecida e superior à sua vontade, contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer um dos integrantes da mesa, Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma flor!", retirando-se ato contínuo da sala. Retornou em poucos momentos, trazendo uma rosa, que depositou no centro da mesa. Esse gesto causou um princípio de polêmica entre os presentes. Restabelecida a "corrente", manifestaram-se, em vários dos médiuns presentes, espíritos que se identificaram como de indígenas ou caboclos e de escravos africanos. O dirigente dos trabalhos convidou esses espíritos a se retirar advertindo-os acerca do seu (deles) atraso espiritual.
De acordo com entrevista do próprio Zélio, nesse momento ele sentiu-se novamente dominado pela estranha força, que fez com que ele falasse, sem saber o que dizia. Ouvia apenas a sua própria voz, perguntando o motivo que levava o dirigente dos trabalhos a não aceitar a comunicação daqueles espíritos, e porque eram considerados "atrasados" apenas pela diferença de cor ou de classe social que revelaram ter tido na última encarnação.
Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela mesa procuraram doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que estaria incorporado em Zélio, desenvolvendo uma sólida argumentação. Um dos médiuns videntes perguntou então:
"-Afinal, porque o irmão fala nesses termos, pretendendo que esta mesa aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz ?E qual é o seu nome, irmão?"
A resposta de Zélio, ainda tomado pela misteriosa força, foi:
"-Se julgam atrasados estes espíritos dos pretos e dos índios, devo dizer que amanhã estarei em casa deste aparelho (o médium Zélio), para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão dar a sua mensagem, e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E, se querem saber o meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim."
O médium vidente insistiu, com ironia: "-Julga o irmão que alguém irá assistir ao seu culto?" Ao que a entidade respondeu: "- Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei!"
Ainda de acordo com o relato de Zélio, no dia seguinte, a 16 de novembro, na residência de sua família, na rua Floriano Peixoto n° 30, em Neves, ao se aproximar a hora marcada, 20 horas, já ali se reuniam os membros da Federação Espírita, visando comprovar a veracidade do que havia sido declarado na véspera, alguns parentes mais chegados, amigos, vizinhos, e, do lado de fora da residência, grande número de desconhecidos.
Às 20 horas, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas, declarando que, naquele momento, se iniciava um novo culto em que os espíritos dos velhos africanos, que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos do Brasil poderiam trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da caridade (amor fraterno), seria a tônica desse culto, que teria como base o Evangelho de Cristo e como mestre supremo, Jesus.
Após estabelecer as normas em que se processaria o culto, deu-lhe também o nome, anotado por um dos presentes como Allabanda, substituido por Aumbanda, que em sânscrito pode ser interpretada como "Deus ao nosso lado" ou "o lado de Deus". O nome pelo qual se popularizaria, entretando, seria o de Umbanda.
Fundava-se, naquele momento, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, assim denominada "porque assim como Maria acolhe o filho nos braços, também seriam acolhidos, como filhos, todos os que necessitassem de ajuda ou conforto".
Após responder, em latim e em alemão, às perguntas de sacerdotes ali presentes, o Caboclo passou à parte prática da sessão, promovendo a cura de enfermos e fazendo andar aleijados. Antes do término dos trabalhos, manifestou-se um preto-velho, Pai Antônio, tendo este guia ditado o ponto hoje cantado em todo o Brasil:
"Chegou, chegou, chegou com Deus,
Chegou, chegou o Caboclo das Sete Encruzilhadas."
Estava fundada a Umbanda no Brasil. Anos mais tarde o dia 15 de novembro seria considerado como Dia Nacional da Umbanda.
Dez anos mais tarde, o Caboclo das Sete Encruzilhadas declarou que a iniciava a segunda parte de sua missão: a criação de sete templos que seriam o núcleo a partir do qual se propagaria a religião de Umbanda. A tarefa ficou completa com a fundação da Tenda São Jerônimo (a Casa de Xangô), em 1935.
Em 1939, o caboclo determinou que se fundasse a Federação Espírita de Umbanda, posteriormente denominada como União Espiritista de Umbanda do Brasil, visando atuar como núcleo central doutrinário e congregar os templos umbandistas.
A entidade trabalhou até meados da década de 1970, quando Zélio faleceu, aos oitenta e quatro anos de idade. Segundo Zilmeia de Moraes (filha de Zélio) após o seu falecimento, a entidade não mais se manifesta em terreiros, estando atualmente incumbido apenas de zelar pela religião.
Na visão umbandista o caboclo foi, em uma das suas anteriores encarnações, o padre jesuíta Gabriel Malagrida.